O agente de segurança de aeroportos Robson Correia de Souza, de 27 anos, terá a chance de ver seu time de coração, o Cruzeiro, ser campeão brasileiro em casa. Após permanecer cinco meses internado no Hospital João XXIII, da Rede Fhemig, por causa de um acidente de moto, o jovem finalmente recebeu alta na última semana.
No dia 11 de maio de 2013, Robson estava a caminho do trabalho quando uma Kombi atravessou o sinal vermelho bem à sua frente. O agente não conseguiu desviar e colidiu com o veículo – o motorista da Kombi estava alcoolizado e fugiu sem prestar socorro. Robson foi levado ao HPS em estado gravíssimo, com um sério traumatismo crânio-encefálico, além de fraturas nos braços e no fêmur direito. Durante o tempo hospitalizado, o agente passou por quatro cirurgias, sendo três ortopédicas e uma neurológica.
De acordo com a fonoaudióloga Andreia Fonseca, o jovem ficou em coma por cerca de três meses, e quando retomou a consciência, não conseguia comer nem falar. Os profissionais que cuidavam de Robson achavam que ele ficaria com graves sequelas, pelo quadro que apresentava ao chegar ao hospital; porém, ele começou a mostrar uma fantástica recuperação, voltando aos poucos a se comunicar: “No início, nós não conseguíamos compreender o que ele dizia, então usávamos uma prancheta para que ele escrevesse as letras.”, explica a assistente social Viviane Oliveira. Em três semanas, Robson melhorou consideravelmente a fala, e a expectativa é de que ele, com fisioterapia, a recupere totalmente. “Quando peço para ele contar de 1 a 10, ele conta em português e inglês”, diz a fonoaudióloga.
A equipe do hospital considera que Robson teve dois importantes incentivos durante a internação: a boa situação do Cruzeiro no campeonato brasileiro, e a presença da família no hospital: “Sua esposa, Daiane, foi fundamental na sua recuperação. Ela esteve presente durante todo o processo de hospitalização”, conta Viviane. Robson também tem uma filha, Yasmin, de quatro anos, que quando foi visita-lo, emocionou todos os funcionários. Segundo a assistente social, “a história de Robson é de superação e sucesso”.
Quando perguntado recentemente em entrevista a um veículo de comunicação - que foi ao local fazer uma matéria sobre acidentes de moto - se tinha algo dizer, Robson foi enfático: “gostaria de agradecer a toda a equipe do Hospital João XXIII”.
O reconhecimento por toda a atenção e carinho que recebeu no HPS fez com que o jovem quisesse tirar fotos com cada um dos profissionais que cuidaram dele durante os cinco meses que ficou lá. O resultado foi um “álbum da recuperação”, com imagens desde o dia que chegou à UTI, até o momento da alta.
Antes de receber alta, Robson já sabia bem a primeira coisa que faria ao chegar em casa: “comer um X Tudo e beber uma Coca-Cola”, falou, aos risos. Religioso, ele também quer ir à igreja agradecer pela “segunda chance”, fazer inglês e voltar ao trabalho.
Robson, que usava a moto apenas para trabalhar (e não gostava) não pretende voltar a usar o meio de transporte: “Não comprem moto. É muito ruim! Comprem um carro”, sugere ele.
De janeiro a outubro deste ano, foram atendidos no HPS 5625 motociclistas acidentados; destes, 60% eram homens de 20 a 39 anos. Somente em outubro, até o dia 20, foram 310 atendimentos, o que dá uma média de 15,5 por dia – 4 foram a óbito.